Inovar em tempos de crise. Risco ou oportunidade?

 

A crise brasileira é o assunto mais recorrente nas rodas de conversa ultimamente. No meio corporativo, um velho ditado diz que em momentos como este, também surgem novas oportunidades. Na prática, milhares de empreendedores e empresários perdem o sono com questões como: será que consigo inovar com recursos escassos? Como se sobressair diante da concorrência  sem apelar para a velha estratégia da guerra de preços? Neste cenário de incertezas, o empresário precisa entender três pontos quando se depara com questões como estas: o cliente, o contexto e a forma como conduz o seu negócio.

O primeiro passo para repensar o modelo de negócio é criar processos, canais e  equipes transversais que  sejam capazes de entender o perfil e as condições momentâneas  do  seu cliente  e rapidamente; adaptar produtos, serviços e ofertas para a nova realidade. Isso, sem abrir mão dos elementos que sustentam os princípios da marca. Algumas empresas, por estarem há mais tempo no mercado, preferem adotar modelos tradicionais , afinal de contas, o fórmula funcionou até aqui. Porém,  ao olharmos para os negócios que mais crescem nos períodos de crise, são justamente aqueles capazes de se reinventar.  E não necessariamente o fazem investindo muito dinheiro, mas  tempo, estratégia e equipes com focos determinados.

Um  aspecto que vem influenciando a inovação nas organizações é o que os especialistas definem como  Transformação Digital.  Dentre outros fatores , o uso de novas tecnologias e da internet  modificaram a forma como produzimos, consumimos e nos relacionamos. Os negócios passam a ser negócios digitais , e é portanto nesse ambiente que  surgem novas ideias.  Vale ressaltar que  apenas ter uma página online  ou alguns canais em redes sociais não significa que a empresa  está, de fato, extraindo as oportunidades deste novo contexto. É um trabalho ativo de relacionamento com este consumidor que hoje  faz uma busca profunda e constante para  saber mais sobre o produto que pretende adquirir, estreita laços com a empresa, questiona, reclama, elogia, e um descuido pode acabar com qualquer reputação e a credibilidade.

Outra questão é que além do produto,  o consumidor exige qualidade em  toda a experiência envolvida. Desde o processo e facilidade de compra, o atendimento, formas de pagamento,  manutenção e até a facilidade de acesso aos canais e plataformas. Em todos esses processos a empresa pode adotar iniciativas que  reduzam o  custo durante os períodos  econômicos mais difíceis, mas  de maneira coordenada proporcionem ao cliente uma boa relação custo-benefício. 

 Para qualquer organização, inovar significa correr riscos para  se obter melhores resultados.  Cabe a cada líder e equipe definir  o quanto estão dispostos a correr na busca pela sobrevivência.  Não existe uma fórmula mágica,  mas uma regra simples  é  que ao definir possibilidades de inovação  para a sua organização, selecione alguns critérios alinhados a sua realidade ( custo, tempo, competências internas , tempo de retorno) e as ideias mais simples e baratas, faça agora. Aquelas complexas ou de retorno em longo prazo, procure parceiros, fontes de financiamento, ou seja, não corra os riscos sozinho. 

Além de repensar a comercialização e novos produtos, é fundamental que o empresário olhe para dentro do seu empreendimento. A inovação nasce de  uma cultura  voltada para a inovatividade. O que significa criar as condições para que a criatividade e a inovação floresçam.  Estas questões passam pelos estímulos , processos, pelo espaço físico e até as regras não declaradas do jogo. Será que  hoje a sua empresa cria condições e prepara as pessoas para testarem novas ideias?  Ou as relações são baseadas  apenas no medo de errar, na insegurança e sem um suporte para desenvolver as competências necessárias?

Se você optou por inovar, saiba que este é um caminho apaixonante e sem volta, portanto, seguem alguns pontos que podem ajudá-lo nesse processo, principalmente em momentos de crise.

  1. Liderar consciente: O empresário precisa adotar uma postura de  condutor do processo de inovação na empresa, estabelecer uma visão e apoiar iniciativas, delegar equipes dedicadas e  definir a inovação como um tema estratégico.

 

  1. Definir uma Estratégia. Analisar o contexto da crise e correlacionar com os maiores desafios da organização, definindo objetivos, planos e ações.

  2. Identificar facilitadores e multiplicadores: Em todas as empresas existem inovações ou boas práticas. Mapear, reconhecer e empoderar os inovadores,  tenha certeza que outros seguirão.

  3.  Estimular a cultura de inovação: Criar regras, ambientes e preparar as pessoas para tornarem a criatividade  e a inovação um hábito.

  4. Tirar as ideias do papel: Não adianta planejar e não executar. Coloque as ideias em prática, teste rápido. Erre e melhore fazendo.

  5. Articular redes de inovação. A inovação pode vir de fora da empresa. A inovação aberta pode acontecer com fornecedores, universidades e até concorrentes.

  6. Insista apesar das adversidades: Inovação é determinação. Se um caminho não funcionar, mude.

  7. Enfrente a Crise: É exatamente aí que surgem as oportunidades, principalmente em um cenário incerto econômica e politicamente. Inovar é correr riscos e pequenas alterações podem promover grandes impactos.

 

*Rafael de Tarso Schroeder é especialista em Sustentabilidade, empreendedorismo e inovação, e atua como professor doInstituto Superior de Administração e Economia (ISAE), de Curitiba (PR)

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